
O coração não esquece o passado
Historicamente, as doenças cardiovasculares foram associadas maioritariamente aos homens, mas a realidade biológica da mulher exige uma atenção específica e redobrada. Ao longo da vida, o corpo feminino atravessa janelas de vulnerabilidade — como a gravidez e a menopausa.
Complicações durante a gestação, como a diabetes gestacional ou o parto prematuro, não são eventos isolados que terminam no momento do parto. Estas condições são sinais de alerta precoce para um risco cardiovascular elevado no futuro. Mulheres que sofreram destas complicações devem manter vigilância: o rastreio da diabetes deve ser repetido periodicamente após o parto e a pressão arterial monitorizada com regularidade. O coração guarda memória destes episódios, e a prevenção é a melhor forma de garantir longevidade.
Com a chegada da menopausa, a queda dos níveis de estrogénio retira uma importante barreira de proteção vascular. Esta fase está frequentemente associada ao aumento da gordura abdominal, resistência à insulina e alterações no colesterol (dislipidemia). Além de afetar a qualidade de vida e a capacidade de trabalho, estas alterações aumentam a probabilidade de eventos cardíacos.
A prevenção passa pelo autoconhecimento e pelo acompanhamento médico:
-Monitorização ativa: vigie os seus níveis de glicemia, colesterol e pressão arterial com regularidade.
-Estilo de vida: a alimentação equilibrada e o exercício físico são pilares importantes.
-Apoio clínico: discuta com o seu médico a possibilidade de terapia hormonal de substituição e realize check-ups regulares.
A prevenção é a melhor amiga da sua saúde!